Recolhimento de Santa Teresa – Santa Casa da Misericórdia – Rio de Janeiro

Algo sobre a história do edificio da Eleva Educação, antigo recolhimento das órfãs, no espelho da imprensa – Rua General Severiano 159, Botafogo, Rio de Janeiro – RJ

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.Hemeroteca Digital Brasileira

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2012 Satellite, rendered, 150.

2012 Rio de Janeiro – imagem de satélite – centro da cidade topo, inferior Botafogo: Rua General Severiano 159.

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1870 – Terminó la ‘Guerra do Paraguai’

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Em 1849, Rio de Janeiro tinha uma população de 206’000 pessoas – em 1872, 229’000 e em 1890, 430’000 pessoas.

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1879 Luiz Schreiner

1879 “Planta da cidade de S. Sebastião do Rio de Janeiro” – Luiz Schreiner – centro da cidade topo, inferior Botafogo

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.Em 1849, Rio de Janeiro tinha uma população de 206’000 pessoas – em 1872, 229’000 e em 1890, 430’000 pessoas.

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1873

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1909.05.25 – “A Noticia” – Os Provedores da Misericordia XXXIII

“…De 30 de dezembro de 1858 até 15 de outubro de 1866 esteve o Recolhimento das Orphãs na rua Nova do Imperador. Entendeu o conselheiro Zacharias nesse ultimo anno removel-as para uma ala do recolhimento de Santa Thereza sito á rua hoje General Severiano…

Não agradava ao provedor [conselheiro Zacharias de Gôes e Vasconcellos 1866-1877] essa reunião de duas instituiçoes completamente differentes.

Em terreno pertencente ao Recolhimento sito á rua do Hospicio de Pedro II, canto da rua Guapymerim tratou de construir um edificio para residencia dos orphãs da Misericordia. A pedra fundamental desse novo estabelecimento foi lançada em 15 de outubre de 1873. Até 1877 haviam-se gasto na contrucção 197:038$063…”

Vieira Fazenda

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1879 Rio, Luiz Schreiner, close up, 15pdf

planta 1879 close-up, Botafogo, Rua do Hospicio de D. Pedro II (antes Azinhaga do Pasmado e desde 1890 Rua General Severiano)

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[…o que foi escrito nos jornais em 15 de outobro de 1873; jornais que estavam em uma caixa de jumbo, colocada com a pedra fundamental no mesmo dia (a caixa foi encontrada em 2007, quebrada e vazia).].

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1873.10.14 – “Diário do Rio de Janeiro”

Santa Casa de Misericordia

“S. Ex. o Sr. conselhor provedor manda convidar os irmãos da Santa Casa para assistirem á ceremonia do lançamento da primeira pedra do edificio do recolhimento das orphãs, á rua do Hospicio de Pedro II, que terá logar no dia 15 do corrente ás 10 horas da manhá; devendo a irmandade da Misericordia sahir incorporada do recolhimento de Santa Theresa, sito á mesma rua, para a celebração da dita ceremonía”.

Secretaria da Santa Casa, 13 de Outubro de 1873. – O escrivão, Manoel José de Freitas Travassos.

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1842 a 1889″ – 1873.10.15 – “Novo e Completo Indice Chronologico da Historia do Brasil”

“Effectuou-se, ás 10 horas da manhã, na rua do Hospicio de Pedro II, junto ao terreno do recolhimento de Santa Thereza, a collocação da pedra fundamental do edificio, que a irmandade da Santa Casa de Misericordia pretende construir para o recolhimento de suas orphãs. Depois da missa celebrada na capella provisoria do recolhimento de Santa Thereza, foi benzida a pedra fundamental pelo Sr. bispo D. Pedro de Lacerda, e em seguida conduzida em uma padiola para o lugar designado, pelos irmãos provedor conselheiro Zacarias, escrivão da administração das orphãs, João José Duarte, thesoureiro João Antonio da Silva Guimarães e procurador Francisco da Costa Faria. A irmandade da Misericordia reunida em corporação, acompanhada das 150 meninas dos dous recolhimentos da Santa Casa e de Santa Thereza, e de muitas senhoras, seguio do edificio onde residem as orphãs até o lugar marcado para a entrada principal da nova casa, que se vai construir. Uma guarda de honra do batalhão de engenheiros achava-se postada junto ao terreno do recolhimento, tocando durante a ceremonia a musica do 1° batalhão de linha”.

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Dr. Moreira de Azevedo – O Rio de Janeiro -1877 – Recolhimento das Orfãs

“Em 15 de outubro de 1873 na rua do Hospicio de Pedro II, junto ao terreno do recolhimento de Santa Thereza, lançou-se a pedra fundamental do edificio que a Misericordia pretende edificar para o recolhimento de suas orfãs.

Depois da missa celebrada no recolhimento de Santa Thereza, foi benzida a pedra pelo bispo D. Pedro Maria de Lacerda, e em seguida conduzida em uma padiola para o lugar designado pelo provedor conselheiro Zacharias de Góes e Vasconcellos, escrivão da administração das orfãs João José Duarte, thesoureiro João Antonio da Silva Guimarães, e procurador Francisco da Costa Faria. Assistirão ao acto a irmandade da Misericordia, as meninas do recolhimento da Santa Casa e de Santa Thereza e muitas senhoras, encerrando-se com a pedra fundamental uma caixa de chumbo, e dentro desta outra de vinhatico contendo moedas de ouro, uma nota escripta em pergaminho e as folhas do dia.

Achava-se postada junto ao terreno uma guarda de honra do batalhão de engenheiros, tocando durante a ceremonia a musica do 1° batalhão de linha.

Deau a planta do edificio, que se vae construir, o habil engenheiro architecto Francisco Joaquim Bettencourt da Silva”.

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1879 close-up 02, 150

planta 1879 close-up 02, Recolhimento de Santa Theresa

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1873.10.30 – “Diario do Rio de Janeiro”

Santa Casa da Misericordia

“OBRA DE ATTERO – A administração do recolhimento das orphãs contrata, com quem melhores vantagens offerecer, o attero do terreno sito á rua do Hospicio de Pedro II esquina da rua Guapymirin.

O nivel do attero será igual ao da soleira do portão do Hospicio de Pedro II, e só se empregará barro, arêa ou caliça, facilitando-se ao contratante tirar o barro do morro situado por detraz da lavanderia da Santa Casa. As propostas deverão ser entregues até 8 de Novembro futuro, na rua do Sabão n.80, ao irmão procurador”.

Recolhimento das orphãs, 27 de Outubro de 1873. – O escrivão João José Duarte.

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1881

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1909.06.01 – “A Noticia” – Os provedores  da Misericordia – XXXIV

“Fez o provedor [José Ildefonso de Souza Ramos, Viscond de Jaguarão] em sessão de Mesa e Junta de 1 setembro de 1881 o historico das obras do Recolhimento das Orphãs…

Na construcção do edificio já «se tinham despendido, diz a acta, 487:675$274» … Não se achava pois o Recolhimento em estado de acabar a obra. O autor do projecto o architecto commendador Bethencourt da Silva avaliava em mais de mil contas a conclusão…”

Vieira Fazenda

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O Globo  – Faculdade de Medicina – 1881.12.16

“A convite de Sr. ministro do imperio houve hoje, á 1 hora, uma conferencia entre S. Ex. e o Sr. visconde Jaguary, provedor da Santa Casa da Misericordia, e membros da commissão que avalion os terrenos necessarios á nova Faculdade de Medicina.

A conferencia teve logar em uma das salas do edificio do recolhimento de orphãs da Santa Casa, á praia da Saudade.

Por ora não conseguimos conhecer do resultado da conferencia”.

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1881.12.17  – “Em additamento á noticia que hontem demos sobre a conferencia havida entre o Sr. ministro interino do imperio e a commissão da Santa Casa da Misericordia, no edificio do recolhimento das orphãs, para resolver se sobre a avaliação da futura universidade, soubemos hoje que S. Ex. declarára á commissão que o governo já se achava habilitado para resolver definitivamente sobre o assumpto”.

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Relatorio do Ministerio dos Negocios do Impero

Termo do acôrdo celebrado pelo Governo Imperial com a Santa Casa da Misericordia desta Côrte para compra de uns terrenos, sitos á praia da Saudade, em Botafogo, com as construcções e bemfeitorias que n’elles se comprehendam, pertencentes à mesma Santa Casa

“Condição 1a  O Ministerio do Imperio compra à Santa Casa da Misericordia deste Côrte pela quantia de seiscentos contos de réis, (600:000$) a fim de serem aproveitados nas construcções que se estão fazendo na praia da Saudade, em Botafogo, e se destinam à Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, e qualquer outra que de futuro seja determinada pelo poder competente, os terrenos indicados na planta junta a este acôrdo a abaixo especificados, bem assim as construcções, bemfeitorias e uma pedreira nelles existentes.

O terreno com 248,50 metros de frente para a rua do Hospicio de Pedro II, e os fundos para uma nova rua, a que os moradores do lugar denominam do Barão do Rio Bonito, medindo todo elle 25.179,2625 metros quadrados.

Neste terreno existe um edificio em construcção que era destinado ao Recolhimento das Orphãs, um predio velho de sobrado que tem servido de morada do apontador das obras do Recolhimento, ben assim um telheiro grande e alguns pequenos, onde se acham guardados varios utensilios, materiaes de construcção, alguns jà preparados, uma machina a vapor, caixa d’agua, etc.; o que tudo se comprehende na compra.

O terreno situado por traz da chacara do Hospicio de Pedro II com 310,40 metros de comprimento e 216,30 de lagura ou uma àrea de 67.139,52 metros quadrados. O dito terreno está todo murado de pedra e cal, tem em uma extremidade um pequeno edidìcio, e está hoje occupado sómente por uma plantação de capim.

Outro terreno com 390 metros de frente para a denominada rua de Ytapemirim, e fundos variaveis, sendo parte até ás vertentes do morro da Babylonia, e parte até a cêrca do Instituto dos Cegos, medindo na parte plana uma área aproximadamente de 39.000 metros quadrados.

Contém este terreno a casa da arrecadação dos materiaes do Hospicio de Pedro II, a qual o limita pelo lado léste, assim como a caixa d’agua construida sobre a encosta da montanha da Babylonia, a pedreira conhecida pelo nome de pedreira do Hospicio, e algumas bemfeitorias alli executadas pelo arrendatario da mesma pedreira, limitando-se o terreno no lado de oeste por uma recta determinada pelo prolongamento de uma linha tirada da frente dalavanderia da Santa Casa da Misericordia e Asylo de Santa Maria até ás vertentes da dita montanha da Babylonia.

Estes tres terrenos medem uma área de 131.318,78 metros quadrados”.

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Untitled-2

planta 1879, close-up 03, terrenos indicados pelo Ministerio do Imperio

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Publicação de “Memórias Póstumas de Brás Cuba” de Machado de Assis

Memórias Póstumas: A Novel and a Network in Five Minutes

 

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1883

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Almanak  Administrativo, Mercantil e Industrial do Imperio do Brasil – 1883 – 1° Volume

Recolhimento de Santa Thereza Rua do Hospicio de Pedro ll…

“Directoria… Engenheiro architecto, Francisco Joaquim Bethencourt da Silva …r. da Guarda-Velha, 3 e praia da Saudade, 22″.

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1884

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1884.01.06“Gazeta de Noticias” Recolhimento de Santa Thereza

“Tendo a respectiva administração de mandar construir uma casa dentro de terreno do mesmo edifício, á rua do Hospicio de Pedro ll, recebem-se propostas até o dia 12 do corrente n’esta repartição, onde se póde ver a planta e condições”.

Rio de Janeiro, em 5 de janeiro de 1884. – O secretario, Antonio P. da Costa Pinto.

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1885

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1885.07.27 – “Diario de Noticias” – Suas Magestades

“Suas Magestades Imperiaes e Sua Alteza a Sra. Condessa d’Eu e os principes seus filhos, visitaram hontem o Azylo de Santa Thereza, estabelecido na rua do Hospicio de Pedro 2°, onde chegaram á uma hora da tarde.

Ahi esperavam Suas Magestades e Altezas, crescido numero de senhoras e cavalheiros entre os quaes notamos os Srs. ministro da agricultura, Barões de Cotegipe, Ipanema, Mamoré, Visconde de Mesquita, senadores Barros Barreto, João Alfredo e Jaguaribe, commendadores Gomes de Mattos, Euzebio Antunes, Queiroga, Miranda Castro e Rozario, Drs. Souza Lima e Ferreira dos Santos, conselheiro Pinto Lima e outros.

No Asylo assistiram ao espectaculo desempenhado pelos orphãs do Asylo, que mostraram grande desembaraço e habilidade.

Depois de um lauto lanche, Sua Magestade dirigiu-se ao Hospicio de Pedro II, cujas dependencias percorreu…”

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1885ca., Botafogo do topo do Corcovado

1885ca., Marc Ferrez, Botafogo, close-up

1885ca., Marc Ferrez, Botafogo, close-up 01

Marc Ferrez 1885ca. – vista panorâmica de Botafogo do topo do Corcovado

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1886

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1886.05.16 – “Diario de Noticias”

“Quando a Camara mudo o nome da rua do Hospicio de Pedro ll para rua do General Severiano, pensavam os moradores, e com certa força de logica, que tamben seria mudado em um calçimento regular o antigo, que era um Sahara de pó no tempo de sol, e um lamaçal intransitavel nas occasiões de chuvas. Não quiz porém a Camara dar á rua dois melhoramentos ao mesmo tempo, se é que mudar-lhe o nome é melhoria; e assim contieúa como d’antes aquella rua, aberta ha perto de 40 anos, e margeada de sumptuosos edifícios e bella casaría, e cujas moradores contribuem para os cofres municipaes em medida sempre crescente!”

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.“Gazeta de Noticias” – 1886.07.18

“Na capella do recolhimento das orphãs de Botafogo, casou, hontem á tarde, Exma. Sra. D. Maria Luiza Wanderley, filha do Sr. barão de Cotegipe (provedor da Santa Casa da Misericordia), com o Sr. Dr. João Francisco de Araújo Pinho, deputado geral pela provincia da Bahia.

Foram testemunhas: por parte da noiva, o Sr. deputado barão de Guahy e sua Exma. senhora e o Sr. barão de Cotegipe; e por parte do noivo, o Sr. conde de Subahé, rapresentado pelo Sr. visconde de Carapebús.

Assistiram á ceremonia os Srs. ministros da justícia, fazendá, marinha, guerra, imperio e agricultura, senadores Junqueira, Diogo Velho, Paulino de Souza, Bsependy, João Alfredo, Fernandes da Cunha, Nunes Gonçalves, Barros Barreto, e Uchôa Cavalcanti, muitos deputados e varias outras pessoas de elevada posição social.”

Menú da ceia do casamento da filha do Barão de Cotegipe Maria Luiza, com o Dr.J.F. de Araújo Pinho, em 17 de Junho de 1886.

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1888

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1888.01.20 – “Gazeta de Noticias” – Santa Casa da Misericordia – obra de gradils, etc.

“…Este empreiteiro … foi incumbido do fornecimento da cantaria necessaria ao edificio do hospital geral; do recolhimento das orphãs, á rua do Hospicio de Pedro II, hoje propriedade do governo; e actualmente, na provedoria do Exm. Sr. barão de Cotegipe, da cantaria para receber o gradil que fecha a frente do edificio do recolhimento de Santa Thereza, na citada rua; de um lanço, no mesmo edificio, par a construcção das latrinas”.

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close-up

planta 1879 close-up 03 – gradils idênticos em frenta as ruas – cemiterio S. João Baptista, esquerda – direita, recolhimento de Santa Thereza

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1888.05.13 – Abolição da Escravatura

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1889

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1889.10.30 – “Gazeta de Noticias” – A derradeira vez que suas Magestades Imperiaes visitaran o edifício

“Foi hontem visitado o Recolhimento das Orphãs da Santa Casa de Misericordia por SS. MM. Imperiaes.

Recebidos pelos Srs. visconde do Cruzeiro, provedor da Santa Casa de Misericordia, ….

Na capella, para onde seguiram, fizeram Suas Magestades oração, sendo entoado um hymno.

Logo depois da visita, no salão de recreio, cantaram as meninas o hymno nacional, acompanhado a piano e uma gentil e interessante orphã proferiu um pequeno discurso, entregando, ao terminar, a S. M. o Imperador um mimoso ramalhate, trabalho feito no estabelecimento.

Estava reservada a S. M. a Imperatriz uma agradavel e commovente sorpreza: quatro orphãs subitamente appareceram, carregando uma cesta em fórma de bouquet, dentro da qual via-se uma interessante e formosa criancinha, de 4 annos de idade, que proferiu uma allocução em francez, pedindo a S. M. a Imperatriz que se dignasse tomal-a sob a sua benefica proteção.

S. M. a Imperatriz, mostrando-se comovida, pediu immediatamente ao Sr. provedor que admittisse aquella criança no estabelecimento, comquanto o prohibisse o respectivo regulamento.

Para satisfazer a S. M. a Imperatriz e tambem para que fosse essa visita realçada e para sempre relembrada por tão caridosa excepção, annuiu o Sr. provedor ao pedido, merecendo este acto os applausos de todas as pessoas presentes, entre as quaes notámos….”

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1889.11.15 – Proclamação da Republica

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1892

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1892.03.07 – “O PAIZ” – Uma Visita ao  ASYLO DAS ORPHÃS  da “Santa Casa de Misericordia”

“E’outra instituição de beneficencia das que orgulham a alma fluminense.

Ramo brilhantissimo da actividade evangelica, da caridade inexcedivel exercida pela Santa Casa de Misericordia, este estabelecimento que hontem visitámos e que vamos hoje apresentar ao publico é do mais dignos da veneração e do apreço de uma sociedade.

Se a civilisação de um povo se mede pelo gráo da sua instrucção, não é menos certo que o seu modo de attender ás necessidades dos pobres e dos infelizes tambem pesa na balança avaliadora desses creditos de civilisado.

Foi com summo prazer, pois, que hontem, percorrendo todo o vasto edificio que constitue o recolhimento de Santa Thereza, recebemos, uma per uma, as impressões mais variadas, que agora, satisfeitos, transmittimos ao publico, certos de que servimos à memoria dos generosos bemfeitores dessa instituição, servimos aós benemeritos encarregados de velar pela sua existencia, servimos ás irmãs de São Vicente de Paulo, que ás orphãs consagram todo o seu ardente amor, servimos a essas filhas do infortunio, que um dia a sorte abençoará dignamente, e servimos ao nosso caro Brazil, que precisa ser conhecido no estrangeiro como o typo da hospitalidade e o exemplo franco da mais salutar e acrysolada beneficencia e amor pelos desvalidos.

O estabelecimento das orphãs da Santa Casa de Misericordia, denominado Santa Thereza, está situado na rua General Severiano, que vai da da Passagem á praia da Saudade. E’de lindo aspecto exterior, todo costruido de granito e posto no fundo de um elegante e longo jardim, que margina a rua limitado por elegante solida grade de ferro fundido. O grande portão principal de entrada offerece passagem por uma área calçada a parallelipipedos até um lance da escada larguissima que dá accesso para o edificio.

O vestibulo da recepção é ladrilhado em losangos de marmore preto e branco, e guarnecido de varios bancos. A’direita está a saleta da porteira e á esquerda se acha o gabinete da irmã superiora.

Com esta senhora, Mme. Boisacq, que ha 34 annos vive no Brazil, e ha 24 dirige o Recolhimento, percorremol-o todo.

Vimos a rouparia, vasta sala cujas paredes estavam revestidas de immensas prateleiras, que vergavam ao peso de todas as peças necessarias para o serviço geral do estabelecimento. Tuda ali se vía disposto com arte e methodo irreprehensiveis, e a alvura do linho deslumbrava a quem estendia o olhar em torno.

O immenso dormitorio está dividido em tres secções: das moças, das médias, e das crianças. O isolamento, á noite, faz-se completo entre cada uma destas secçoes. Em todas era bello ver-se o asseio e a belleza geometrica da disposição dos leitos, que não poderiam distinguir-se sem os numeros que os assignalam, tal é a nitida igualdade entre todos elles.

Ha tres salas de trabalhos manuaes, e de aulas. Cada uma dessas salas encontrámos occupada pela turma de recolhidas que a ella pertenciam, e ahi tudo nos sorprendeu. A vivacidade das meninas era inexcedivel; em còro, espontaneamente nos cumprimentaram, o …… do alegria vinham apertar-nos a mão. O conselheiro Paulino, provedor da Santa Casa, é ali desejado extraordinariamente, e, falando-se no nome delle, era de notar que cada uma das meninas se apressava em mandar-lhe um recado gracioso ou enviar-lhe uma palavra de affecto. Todas as physionomias relevavam a posse de uma saude perfeita, todos os olhares demonstravam um bem-estar de espirito invejavel.

Foram-nos apresentados trabalhos das alumnas. Vimos dois mantos para imagens sagradas, bordados a ouro, como não fariam melhor consummadas artistas no genero. Os bordados em roupa branca, crochets, e outras especialidades ali são ensinados com gosto e executados com brilhantismo pelo corpo de recolhidas. Em flores artificiaes foi-nos mostrado o que ha de mais primoroso, e com que ali se attende a varias encommendas do exterior. Muitos outros trabalhos artisticos recommendam as mãos delicadas das numerosas educandas, que esperam o momento de serem entregues á sociedade no santificado papel de esposas.

A educação naquella casa religiosa attinge a quasi todos os ramos do saber humano. Portuguez, francez, arithmetica, geometria, historia patria, geographia geral, calligraphia, musica, historia natural, etc., tudo ali é ensinado, de envolta com os deveres domesticos, que preparam a verdadeira dona de casa, a probidosa mãi de fami

Ha dois ‘recreios’, um coberto, e outro ao ar livre. O primeiro é no recinto destinado a futura capela do estabelecimento, o segundo é n’uma parte do espaçoso jardim, que os quatro lances do edifício circundam em quadrilatero. Ahi tèm plena liberdade as meninas para equilibrarem com exercicios corporaes os intellectuaes e espirituaes a que se sujeitam com proveito para si e honra para o Recolhimento.

Cumpre não passar a outro ponto sem testificarmos a superioridade dos trabalhos calligraphicos que vimos, e dos desenhos, tudo executado pelas alumnas, sob a direcção das irmãs, que, sendo em numero de quatorze, são cinco de nacionalidade brazileira, intelligentes, e, como todas as congregadas de S.Vicente de Paulo, dedicadas por aquellas creaturas de menor idade postas sob sua guarda e protecção.

Depois entrámos no grande salão do Theatro, disposto em archibancadas lateraes, e um não pequeno palco sortido de decorações para varios effeitos, onde, em dias de festa, as meninas exhibem desembaraçado conhecimento de scena no desempenho das peças que á sua habilidade e gosto são confiadas.

A enfermaria, que em seguida visitámos, estava completamente vasia.

Todos as recolhidas gozavam saude, nenhuma felizmente carecia de soccorros medicos.

Tinhamol-o já verificado, observando a physionomia expansiva de cada uma.

Os lavatorios geraes estão montados n’um só compartimento, são todos de marmore, corridos em quatro longas filas, e servindo ordenadamente ás moças, á médias e ás menores.

Passando por todos os corredores só se tem a bella impressão da alvura das paredes, do brilho do assoalho e do nitido envernizamento das portas. A luz abundante do dia banha todo o estabelecimento.

Entrámos na cozinha espaçosa, limpa, onde as meninas servem por turmas semanaes, e onde então se preparava a jantar; tivemos occasião de ver a fartura das iguarias que tinham de ser servidas pouco depois a todo aquelle garrul e buliçoso bando de infantis creaturas.

Os refeitorios, em sala contigua, estavam ricamente dispostos, tudo encantadoramente ordenado.

Vimos em seguida duas capelas: a geral, onde quotidianamente se diz missa ás 6 horas da manhã, e a Nossa Senhora de Lourdes, creada pela irmã superiora. Em qualquer das duas a austeridade religiosa se accentua em todas as suas minuciosidades, e pudemos observar que a quasi totalidade das guarnições eram fructo do trabalho proprio das meninas.

Obecedendo ao preceito religioso, que inspira todo o movimento daquella casa util, a emulação das educandas é promovida por meio de recursos especiaes e carateristicos da religião catholica. Assim as meninas, á maneira que vão se distinguindo por sua conducia e aproveitamento, vão recebendo em fórma de escapulario, presas sobre os hombros, umas fitas que por suas côres dão o gráo do seu merecimento. A verde é o primeiro gráo e as que a conquistaram são tidas como ‘aspirantes’ a ‘anjo’; a vermelha é o 2°gráo, e dão a denominação de ‘anjo’ as meninas que a possuem; a fita azul é o 3°gráo, e assignala as ‘aspirantes’ a ‘filhas de Maria’; o 4°gráo é representado pela fita roxa, e as que a têm obtido attingiram á meta, e são consideradas ‘filhas de Maria’. Destas ainda ha a mais distincta, que é a denominada ‘presidente das filhas de Maria’.

As meninas para serem recebidas no Recolhimento de Santa Thereza precisam ser filhas legitimas, orphãs de pai, e contar de sete e meio a 12 annos de idade. Existem actualmente 182 recolhidas. Todas possuem seu enxoval completo de roupa branca, que ali mesmo preparam, e, além dos vestidos communs, tres especiaes para differentes actos.

O emprego das horas do dia é feito do modo seguinte.

A’s cinco e meia horas levantam-se, ás seis assistem á missa, ás seis e meia tomam café, depois, cada turma em sua classe estuda até ás sete. Das sete ás oito cuidam todas do asseio da casa. A’s oito horas toca o almoço; das oito e meia ás nove ha recreio geral. Das nove ás duas horas ha, alternativamente para cada classe, aula e trabalhos manuaes. A’s duas e meia janta-se. Até ás tres segue-se recreio. Das tres ás cinco e meia ha novamente aulas de differentes disciplinas, entre as quaes piano, canto e orgão; depois, até ás seis horas, ha lição religiosa. A’s seis serve-se o chá, e folgam até ás oito horas, quando toca a deitar.

Tivemos o cuidado de apreciar o adiantamento das meninas, cuja intelligencia está confiada ao zelo das irmãs de caridade, e não tivemos a menor razão de desgosto. Ficamos, pois, satisfeitos com tudo, lembrando-nos, então, dos pequeninos que viramos ha oito dias no interior do hospital da Santa Casa de Misericordia para lhes desejarmos o mesmo conforto, a mesma hygiene, o mesmo isolamento corporal e espiritual das miserias humanas, que constituem o principal beneficio destas orphãs asyladas no Recolhimento de Santa Thereza.

E’ de esperar que o digno provedor de tão notavel instituição, generoso, caritativo e justiceiro como é, pense em conceder a esses filhos da desgraça os mesmos favores que a estas jovens creaturas do sexo feminino religiosamente se dá.

Cada uma destas meninas termina o seu curso do Recolhimento no dia emque é recebida em matrimonio. Leva então para o la rconjugal todas as prendas que adquiriu no seu tirocinio de educanda que não viveu asphyxiada n’uma atmosphera exageradamente fanatica, mas n’uma casa em que a religião é apenas o prisma pelo qual a educação moral é encarada, a quantia de um conto de réis é o dote que lhe offerece a Santa Casa. No anno compromissal que terminou em 2 de junho do anno passado os dotes conferidos ás orphãs que se casaram foram na importancia de vinte e cinco contos.

E’, pois, maravilhosa a organização daquella instituição que a Santa Casa mantem. Exemplar gracioso das obras dasmeninas nos offereceu a dignà irmã superiora para memoria da nossa visita. Se temos que desejar o desdobramento do manto de caridade que se chama Santa Casa de Misericordia em outras joias de igual valor, que honrem o nosso paiz, assim como desejamos para cada uma das crianças que ali recebem educação e ensino toda a felicidade que se póde ambicionar para a mulher brazileira.”  ●.

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1900 Maio

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1900 Maio, Lyceo de Artes e Officios, rendered

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“Photographia tirada por occasião da visita do Archbispo Arcoverde e do coronel Hermes da Fonseca á Exposição Artistico-Industrial Fluminense. Commemorativa do 4.° Centenario do Descrobimento do Brazil, realizada no Lycéo de Artes e Offícios em Maio de 1900.

Entre os presentes veem-se: Comm. Bethencourt da Silva e seu filho, Drs. Martins Costa e Eneas Galvão, Xavier Pinheiro e outros.”

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1911

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1911 Fon-Fon, Botafogo by night, Brun copy

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Aspecto de Botafogo, apanhado em noite de luar, do alto do Corcovado – Brun, Fon-Fon

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1911.09.06 – Revista da Semana – “Falleceu, hontem, ás 10 1/2 horas de manhá, na casa de sua residencia, o commendador Francisco Joaquim Bethencourt da Silva”.

1911.09.07  –  Jornal do Brasil  –  Fallecemento

1911.09.16  –  Revista da Semana – Bethencourt da Silva – O enterro sahindo do Lyceu de Artes e Officios.

Bethencourt da Silva pertence ao numero dos benemeritos cuja condecoração incumbe á historia” – Ruy Barbosa

“Falta-lhe só morrer para não ser um extranho entre os immortaes” – Mucio Teixeira

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1918

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1918.01.26 Fon-Fon

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“Asyladas do Recolhimento de Santa Thereza á Praia de Botafogo, mantido pela Santa Casa da Misericordia

Recente photographia do habil profissional Malta.”

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1931

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1931.05.16 Fon Fon

1931.05.31 Fon-Fon, 100 anos Bethencourt

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“A Sociedade Propagadora das Bellas Artes commemorou, sabbado á noite, em sua séde social, o centenario do nascimento de seu benemerito fundador, o saudoso architecto Francisco Joaquim Bethencourt da Silva, que foi, tambem, o creador do Lycéu de Artes e Offícios e da Biblioteca Popular, realizando em homenagem á sua memoria uma tocante solenidade, de que a gravura acima offerece um detalhe.”

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1944

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1944.10.15 – “Correio da Manhã” – CAIU DA ESCADA E MORREU – Serafim Alves, pintor, com 50 anos de idade, funcionario da Santa Casa de Misericordia, quando procedia á pintura de uma parede no Asilo de Orfãs, site á rua General Severiano, 159, sofreu uma queda da escada, fraturando o craneo, costelas e recebendo contusões. Foi socorrido por uma ambulancia do H. M. C., mas em virtude da gravida dos ferimentos recebidos não poude resistir, vindo a falecer algumas horas após a queda.

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1950

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1950.12.20 – “Diario da Noite” – Exposição de Trabalhos das Irmãs de Caridade de Orfãos de Santa Casa – As Irmãs de Caridade do Recolhimento de Orfãs Santa Teresa, á rua General Severiano, 159, convidam as familias e ao povo em geral, para assistirem a exposição de trabalhos manuals das alunas do referido Recolhimento, das 9 ás 11 e das 15 ás 19 oras, todos os dias, até 31 do corrente.

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1952

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1952.06.27 – “Diario Carioca” – TEMOS PRECONCEITO DE CÔR – Escolas Discriminam, Diz Líder Dos Pretos

“Muitos entidades públicas, apesar da lei Afonso Arinos, continuam não aceitando nos seus quadros pessõas de côr”, disse-nos o sr.Joviano Severino de Melo, presidente da Uniáo dos Homens de Côr.

“Posso citar, com absoluto conhecimento de causa, … o Recolhimento Santa Teresa, á rua General Severiano, 159; …”.

“No Brasil a mentalidade escravocrata impede até hoje que as crianças prêtas e pardas sejam matriculadas em comum com as brancas para estudar e receber a necessária educação moral e civica. Temos provas dêste fato no Catálogo de Obras Sociais do Districto Federal, organizado pela Legião Brasileira de Assistência, no qual são citadas cinco instituições que, desrespeitando a Constituição nos seus artigos 31 e 141, confessam não aceitarem crianças de côr parda ou prêta”.

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1955

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1955.04.17 – “Correio da Manhã” – Cotegipe no Recolhimento de Santa Teresa – M. Paulo Filho (Das “Memórias” de João Paraguassu)

“Íamos andando pelos corredores do Recolhimento de Santa Teresa, cuja majestosa e austera fachada se vê à Rua General Severiano, 159. Em volta, um jardim tranquilo e florido convidava à beleza e à alegria. Ìamos andando: – eu, o provedor Ary de Almeida e Silva, o circurgião-chefe Paulo Cezar de Andrade, o mordomo Francisco Pedro Carneiro da Cunha e o escritor J.B. Capivary. O Recolhimento tinha mais de dois séculos de idade. Mas era um abrigo de almas cândidas e abertas à vida em flôr. Debaixo de seu teto e sob a sua proteção, as pequenas asiladas remoçavam-no, dando-lhe um encanto extraordinário. As religiosas vicentinas que o dirigiam, como abelhas da bondade que ali derramassem o mel da virtude e do confôrto espiritual, passavam e repassavam, agitando as abas amplas de seus chapéus de linho branco, engomado, lustroso e alvíssimo. Um ambiente de doçura, de poesia e de esperança no céu, eis o que aquilo era.

– Casa do Bem, observava Carneiro da Cunha todo contente, quase eufórico. Formam-se aqui caracteres de futuras mulheres que temem a Deus e confiam no próprio destino.

Carneiro da Cunha era heresiarca. Mas trazia no sangue, como o seu grande ancestral José Marianno, um belo sentimento de solidariedade humana.

O provedor e o cirurgião-chefe explicavam-me as origens e os fins da benemérita instituição. Dois anônimos, perdidos nas névoas do tempo colonial – Marçal de Magalhães Lima e capitão Francisco dos Santos – doaram à Santa Casa de Misericórdia 32 mil cruzados para o amparo às órfãs. Criou-se assim o Recolhimento. Mas em 1866, após a batalha do Riachuelo, com a Côrte aqui cheia de crianças cujos pais haviam morrido nas charnecas do Paraguai, impôs-se a necessidade de ampliar o abençoado refúgio. A imperatriz Tereza Cristina, que lhe deu o nome, tomado á gloriosa beata, interessou-se pela obra. E o marquês de Abrante forneceu os recursos reclamados. José Clemente Pereira, muito antes, no período da Menoridade, tinha erguido o prédio em condições. As primeiras quinze Irmãs de São Vicente de Paulo, trazidas da França, iniciaram a educação das recolhidas. O imperador e a imperatriz eram assíduos nas visitas ao Recolhimento. A derradeira vez que D. Tereza Cristina lá estêve foi a 29 de outubro de 1889, quando ali internou uma menina de seis anos, sob a designação de Protegida da Imperatriz. Menos de um mês decorrido, sua majestade saía a barra, destronada e banida, para nunca mais voltar. Também a Princesa D. Isabel e o Conde D’Eu eram freqüentadores do Recolhimento, de onde costumavam levar as crianças órfãs para brincarem no palácio, que é hoje o Guanabara.

Capivary, até então silencioso, narrou-nos um episódio interessante- Foi na capela do Recolhimento que se casou a filha do barão de Cotegipe, depois senhora Araújo Pinho.

Era o estadista o presidente do Conselho de Ministros, dizia-nos o escritor, sendo também Provedor da Santa Casa. Tinha paixão pelo Recolhimento. Aparecia na casa diàriamente. Esse homem ilustre e de grandes responsabilidades sociais e políticas, ocupadíssimo na Administração, no Parlamento e no Conselho de Estado, mundano por excelência, tinha sempre algumas horas para estar na convivência das asiladas. Araújo Pinho, noivo de sua filha, era um moço brilhante, deputado pela Província da Bahia e, na República, governador do Estado. O barão preparou-lhes o casamento na capela do Recolhimento. A órfãs ficaram no côro e nos bancos. Eram asiladas as que improvisavam a orquestra. Foi uma ceremônia belíssima a entrada do estadista que conduzia pelo braço a sua filha, recebendo os cumprimentos do imperador, da imperatriz, da princessa, do conde d’Eu, dos seus colegas de Gabinete, do Corpo Diplomático, de algumas das mais distintas damas do Paço, pois que todos se achavam presentes. A cerimônia verificou-se durante a missa e Cotegipe, a seguir, ofereceu aos seus convidados um almôço no teatro do Recolhimento. Encontrei nos jornais da época o noticiário a respeito. Devia ter sido uma solenidade única pelo espledor. Foi, talvez, o maior acontecimento social do ano, êsse de um poderoso chefe de partido e de govêrno escolher a convivência das humildes meninas e no meio delas realizar o casamento de sua elegante filha.

Para J. B. Capivary o fato tinha especial significação. Prova a injustiça dos que acusavam o barão de ser um escravocrata, um reacionário, um opressor orgulhoso das suas altas posiçōes. Nada disso. O velho João Mauricio Wanderley tinha bastante espírito e coração para se afeiçoar aos humildes, sofrendo quando não lhe era possível ajudá-los. Como resposta aos seus inimigos, nada mais eleqüente do que a devoção por êle consagrada a essas órfãs, algumas das quais ainda hoje vivem, recordando-se, na velhice anônima, dêsses dias de sonhos e ilusões…”

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1956

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1956.08.31 – “Diario de Noticias” – NOVO TEATRO NUM ASILO DE FREIRAS – Vai ser pôsto em funcionamento um teatro existente no Recolhimento de Orfãs da Santa Casa de Misericordia, à rua General Severiano, 159 (defronte do túnel do Pasmado), e administrado pelas Irmãs de Caridade de São Vicente de Paulo. Será explorado por Jorge Uranga que ali apresentará inicialmente peças infantis e depois um repertório para adultos, de acôrdo com o local.

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1971

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1971.07.23 Diário de Notícias  Jubileu de Prata O Ginásio Comercial São Vicente de Paulo, na Rua General Severiano, 159, vinculado ao sistema federal, mantida pela Santa Casa da Misericórdia e dirigido por Irmãs de Caridade di São Vicente de Paulo, vai comemorar seu Jubileu de Prata…”.

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1975

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1975.03.09 – Inicio de Atividades  “Dando inicio às suas atividades em prédio novo, o Colégio Anglo Americano – SESAT Sociedade de Ensino Superior e Assessoría Técnica – manda celebrar hoje, às 19 horas, na Rua General Severiano, 159, misa solene para a qual convida seus três mil alunos e autoridades estaduais e federais ligadas ao setor educacional. Este novo prédio é tombado pelo Patrimônio Histórico a Artistico Nacional e foi restaurado por Lucio Costa.”.

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1975.05.28 – Inaugurado Cineclube Alex Viany Com a apresentação do filme ‘PasseLivre’, de Oswaldo Caldeira, o Cineclube Alex Viany, da SESAT (Sociedade de Ensino Superior e Assessoria Técnica), foi inaugurado na Rua General Severiano, 159. A idéia da formação do Cineclube partiu de Carlos Tavares Vilanova….

Vilanova, que jã participa de vários cineclube, achou que poderia aproveitar o auditório da SESAT, recém-reformado (Lúcio Costa)…“.

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.1975.06.07 – A Dança dos Vampiros (The fearless Vampire Killers), de RomanPolanski… Hoje, às 18h, no Cineclube Viany, Rua General Severiano, 159 (esquina com a Rua Lauro Sodré)”.

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.1975.07.06 – Mulher faz Direito de Família “Com o objetivo de informar às mulheres quais são os seus direitos legais diante de adultério, casamento, herança, abandono o desquite, o Colégio Anglo-Americano vai iniciar na terça feira, dia 8, o seu primeiro curso de Direito de Família para Mulheres, com aulas de 90 minutos….”.

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1975.12.05 – E as Férias das Crianças? A melhor solução, pelo menos de acordo com os pais e mães do mundo inteiro, é colocar as crianças em colônias de férias…”  → mais…

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2004

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Daros Latinamerica avalia vários sites e edifícios para o seu novo museu no Rio de Janeiro – primeiros contatos com a instituição da Santa Casa da Misericórdia

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2006

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2006.10.23 – “Jornal do Brasil” – Casa Daros

Um colégio para o acervo da Daros Pertinho da sede do Clube de Regatas Botafogo e do shopping Rio Sul,…

…desde 2000, da Coleção Daros-Latinamérica, especializada em arte brasileira e latino-americana…

…será restaurado pelo premiado Paulo Mendes da Rocha

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2007

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Novembro – “O Edifício do Educandário Santa Teresa” por Alexei Bueno

Este documento afferma che o edifício foi inaugurado no ano de 1866; não è correto; a data da colocação da primeira pedra foi no dia de 15 de outubro 1873, como você pode ver acima.

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2011

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2011.03.22 – Tombamento definitivo do Educandário Santa Teresa

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2013

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2013.03.23 – Casa Daros  – Exposição inaugural – “Cantos, Cuentos Colombianos”

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2013.03.22 Casa Daros, main access

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accesso principal da “Casa Daros” – o dia antes da inauguração do edifício, transformado da Paulo Mendes da Rocha, projeto arquitetônico, e Regina Pontin de Mattos, projeto de restauração.

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Intervenção na Preexistência

O Projeto de Paulo Mendes da Rocha para Transformação do Educandário Santa Teresa no Rio de Janeiro em Museu de Arte Contemporânea Dissertação de Maira Francisco Rios, São Paulo, 2013.

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2014

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2014.02.21 04.27 – Daros Latinamerica Collection – Fondation Beyeler PDF inglês – “With Daros Latinamerica one of the leading international collections of contemporary Latin American art be a guest at the Fondation Beyeler. The exhibition will present a concentrated selection of works by renowned contemporary artists from various countries in Latin America.”

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2015 – Casa Daros fechará as portas

uma reminiscência da fábula de Esopo “A Tartaruga e a Águia”

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2015.01.29 – O começo do fim da Casa Daros – Foundation Beyeler PDF inglês – Coleção Daros reforça a parceria com a  Fundação Beyeler – Como resultado da parceria serão apresentadas três grandes exposições por ano em vez de duas.

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2015.03.05 – Eleva busca colégios para aquisição

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2015.05.12 – Comunicado – Casa Daros – “A Coleção Daros Latinamerica abre novos caminhos”

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2015.05.12 – Estadão, Cultura  Casa Daros fecherá as portas no Rio depois de dois anos em atividade

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2015.05.13 – jornal do commercio  Leia o comunicado oficial da Casa Daros sobre o fechamento – No documento, gestores afirmam que a “A Coleção Daros Latinamerica abre novos caminhos”

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2015.05.13 – O Globo  Diretores da Casa Daros dizem que fechamento é irrevogável e culpam custo de manutencão – Para o curador da coleção, Hans-Michael Herzog, decisão ‘é uma falta de respeito’.

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2015.05.13 – a redação  “Curador Hans-Michael Herzog critica Casa Daros por fechamento” – “É uma falta de responsibilidade”, afirmou.

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2015.05.15 – archdaily  Por alguma razão, no que respeita a idéa e o conceito da transformação do edifício, o trabalho de Paulo Mendes da Rocha não é mencionada.

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2015.07.21 – O Globo – “Lemann negocia compra da Casa Daros, no Rio” – por Anselmo Gois

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2015.07.26 – NZZ  “Absturz nach steilem Aufstieg” – PDF (‘Acidente após uma subida íngreme’, al) – von Gerhard Mack

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2015 agosto – Casa Daros  “A Coleção Daros Latinamerica abre novos rumos”

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2015.08.06 – O Globo  “Quatro escolas do Top 15 do Enem têm Jorge Paulo Lemann como invstidor” – por Ancelmo Gos

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2015.08.20 – GQ  “Casa Daros: o início da despedida em festa e mostra cubana” – por Pedro Henrique França

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2015.08.23 – O Globo  “Casa Daros: dupla quer transformar espaço em escola” – por Joana Dale

Eduarda Falcão e Bruno Elias estão à frente da rede de ensino Eleva Educação

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2015.09.08 – O Globo  “Destino da Casa Daros será definido até o fim do ano” – por Mariana Filgueiras

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2015.10.27 – “Folha de S.Paulo”  “Casa Daros é vendida para grupo do educação e encerrará atividades”

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2015.10.27 – “Época”  “Casa Daros, no Rio, é vendida para o grupo Eleva Educação – por Bruno Astuto

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2015.10.30 – “Eleva”  “Casa Daros é comprada pela rede de ensino Eleva Educação” – Matéria publicada em Veja Rio

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2015.12.11  “O Globo”   “Casa Daros fecha as portas no Rio neste domingo” Última semana de funcionamento transcorre em clima melancólico – por Nani Rubin

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2015.12.11  “O Globo”  “Análise: Casa Daros foi empreitada colonialista de Ruth Schmidheiny” – por Daniela Labra

(O desabafo de uma mulher triste)

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2015.12.12  “ArchDaily Brasil”  Casa Daros promove exposições gratuitas antes de encerrar suas atividades por Romullo Baratto

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2015.12.13 Casa Daros – “Hoje é o último dia da Casa Daros. Obrigada a todos os frequentadores, artistas e colaboradores que fizeram esta instituição com tanto carinho nesses quase três anos de funcionamento. Foram 280 mil visitantes, seis grandes exposições de arte contemporânea latino-americana, dezenas de atividades paralelas como performances, bate-papos, cinema e música, além de uma extensa programação educativa. Aqui nos despedimos!” – Casa Daros, facebook

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2015.12.13, 18:00, as portas estão fechadas

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2015.12.23 “SWI” swissinfo.ch “Casa Daros no Brasil foi sonho que durou pouco” por Guilherme Aquino, Rio de Janeiro

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